segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estamos de volta

Então, filho.


Como falei, estamos de volta ao Brasil.

Fiquei impressionada como quanto você aprendeu neste último ano. Aliás, você sempre me impressiona, sabia? Sempre supera qualquer expectativa mais otimista que a sua mãe coruja possa ter.

Mudar-se para os EUA, longe de tudo e todos que lhe eram familiares? Fácil.

Entrar em uma escola norte-americana, com coleguinhas que só falavam inglês? Moleza!

Adaptar-se a novos temperos, sabores e ao pior inverno dos últimos 100 anos? Tirou de letra!

Voltar ao Brasil e readaptar-se a tudo novamente? Maravilha!

E isso tudo é seu. Nem posso querer me meter muito, que posso estragar, sabe? Mas hoje estava lendo uma reportagem sobre um pai que, ao descobrir estar doente e ter pouco tempo de vida, decidiu deixar uma série de mensagens em vídeo, presentes, livros e conselhos para os filhos. A história toda é bonita, mas os conselhos são particularmente bons. Tão bons que eu acho que vão ajudar, sabe? E não poderia deixar de transcrever aqui...



" Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e aspirações que fazem as pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias idéias agora, a fórmula é bem simples.

As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores os manterão no emprego, e seu pai se orgulhará muito de vocês.

Estou deixando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre os quais tentei construir a minha vida, e são exatamento os que eu encorajaria vocês a abraçar, se pudesse.


1 - Amo muito vocês. Nunca se esqueçam disso.

2 - Seja cor5tês, pontual, sempre diga "por favor" e "obrigado", e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Outras pessoas decidem como tratá-los de acordo com suas maneiras.

3 - Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios probelmas. Os outros vão admirar sua abnegação e ajudá-lo também.

4 - Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso.

5 - Mostre humildade. Tenha sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volta atrãs quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.

6 - Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então use-os como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problemas, está fazendo algo errado.

7 - Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como uma pessoa má. Se tiver algum problema com alguém, diga a ela pessoalmente.

8 - Suspenda fogo. Se alguém o importunar, não reaja imediatamente. Uma vez que você disser alguma coisa, não poderá mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.

9 - Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.

10 - Doe para a caridade e ajude os menos afortunados: é fácil e muito recompensador.

11 - Sempre olhe para o lado bom! O copo está sempre meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.

12 - Faça seu institnto pensar sempre em dizer "sim". Procure razões para fazer algo, e não para dizer "não". Seus amigos vão gostar de você por isso.

13 - Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Chegar a um meio-termo pode ser bom.

14 - Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas quem o convida quer que você vá. Mostre a seus amigos cortesia e respeito.

15 - Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem... por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.

16 - Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.

17 - Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de você na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.

18 - Sempre respeite a idade, porque idade é igual sabedoria.

19 - Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.

20 - Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais do que seus calções.

21 - Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.

22 - Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procastinação.

23 - Dê seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.

24 - Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou jóias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.

25 - Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas são corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.

26 - Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.

27 - Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.

28 - Aprenda um idioma, ou pelo menos tente.

29 - Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-lo em sua língua materna; mas pergunte se a pessoa fala inglês!

30 - E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide bem dela."




Ótimos conselhos, não?




Beijos.


terça-feira, 4 de maio de 2010

Ainda sobre broncas...

Ai filhote.

A sensação que eu tenho é que ultimamente passo mais tempo brigando do que brincando com você. Isso te deixa triste, e me deixa esgotada.

Nossas manhãs são, em geral, tranquilas. O problema é depois da escola: todo dia começamos o jantar bem e terminamos mal. A refeição arrasta-se por intermináveis 2 horas, durante as quais você faz de tudo para nos enrolar e não comer. Tudo bem que mastigar a comida devagar faz bem à saúde, mas assim já é demais!

O banho é sempre uma alegria, mas na hora de dormir lá vem novamente a confusão. As duas histórias que combinamos de ler sempre acabam em manha para que seja lida uma terceira. Os dois desenhos sempre são insatisfatórios para alguém que queria ver cinco... E toda noite há uma última bronca antes de dormir: aquela que te faz finalmente ficar na cama quieto e fechar os olhos.

Será que você se lembra dos nossos conflitos? Será que sonha comigo brigando contigo? Será que você sabe, mesmo, o quanto te amo? Me pergunto isso todo dia... Já passamos tanto tempo separados que minha vontade era não ter que dizer um "ai" quando estamos juntos.

Só que isso não é possível. Educar é saber dar limites, e crianças de 3 anos não são particularmente fãs de limites. Mas ainda assim é tão ruim, né?

Li vários livros sobre psicologia "positiva"... daqueles que ensinam a educar crianças com elogios ao invés de broncas. Aplico os conselhos sempre que posso. Só que às vezes fica difícil e ultimamente nossa rotina noturna tem se transformado em estudo de caso do que não fazer, eu acho.

Mas eu te amo. E acho que as broncas são merecidas.

Me perdoa por ser tão chata? Um dia você ainda vai entender que foi para o seu bem...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Você e os esportes

Mãe, eu gosto de futebol. E de futebol americano. E de beisebol. E de basquete. E de golfe. E de lacrosse.

Esse aí é você feliz da vida em um jogo de beisebol da UVA. Tentamos levar você ao máximo possível de eventos esportivos durante nossa temporada aqui. E tentamos sempre estimular a prática de esportes. Será que deu certo?

Praticar um esporte é não apenas saudável, mas ensina um monte de coisas pra gente. Ensina a ser leal, a ser disciplinado, a trabalhar em equipe, a saber aceitar derrotas... e, principalmente, ensina que vitórias nunca vêm facilmente, times vitoriosos treinam muito para ser campeões.

Não faço questão que você seja um atleta de ponta, jogador milionário e tals. Mas faço muita questão, filhote, que você aprenda e pratique na vida os valores que o esporte ensina.

Você leva a bronca e quem fica deprimida sou eu...

Filhote,

De vez em quando você fica atacado. Acorda mal-humorado e passa o dia dando "patadas" nas pessoas, sabe? Trata mal seu pai, faz manha para se arrumar, tenta bater na professora, pede para comprar tudo o que vê pela frente como se fosse o filho mais mimado do mundo e logo depois esquece. Não se contenta com nada, não faz o favor nem de pegar um brinquedo no chão quando a gente pede, não como direito... até que eu me pergunto: “Nossa Senhora, o que aconteceu contigo hoje?”.

Sempre procuro uma razão. Mas nem tudo isso é para chamar nossa atenção, nem tudo tem sempre explicação.

E de vez em quando (menos do que eu deveria), decido que já chega, não pode ser tão folgado, tão mimado, tão mal-educado. E lá vem a bronca, o discurso, o castigo... Até que uma hora eu decido que você não está merecendo nem desenho nem história para dormir. Dou uma bronca "daquelas" e te mando para cama.

A paciência se esgotou. Mas aí você chora, pede desculpa, “por favor…por favor"… Você faz assim porque acha que chorando consegue tudo. E não tem mãe que não titubeie, o coração amolece de ver aquela carinha triste. Afinal, é só uma história, não custa nada…

Racionalmente as mães sabem que seus filhos são mesmo excelentes atores, e que está rolando uma manipulação básica. Você, por exemplo, sabe direitinho como conseguir quase tudo da sua mãe...

Só que eu me lembro que já é tarde, estou cansada, tenho mil outras coisas para fazer depois que você dormir (arrumar a casa, arrumar a cozinha, separar a roupa...). Não tem cabimento nenhum eu me sentir culpada por educar. Você mereceu o castigo, eu não fui injusta e você estaca impossível desde que acordou, ainda que agora esteja com carinha sedutora tentando me ganhar.

Controlo meus instintos e te mando dormir! (em nome da educação, das boas maneiras, dos limites e da minha sanidade). E chorando, triste comigo, você dorme.

A casa fica finalmente em silêncio... quieta demais. Passo no seu quarto, faço um carinho, beijo sua bochecha, afago mais um pouquinho, beijo de novo... sussuro “eu te amo, filhote”.

Saio do quarto com a história que ia contar entalada na garganta. Ando pela casa remoendo o dia. Escovo os dentes e esqueço de todas as tarefas ainda por fazer. Lamento o tempo “perdido” com broncas, quando tudo o que a gente queria era se divertir, passear, sorrir…

Mas crianças desobedecem, nos testam, e você fica se perguntando quantas broncas mais será obrigado a dar para que nossos pequenos entendam que a vida não é esse deleite ininterrupto de desejos preenchidos e sonhos realizados. Digo para mim mesma que, caso você não a ensine isso hoje, a vida tomará o meu lugar nessa lição, e ela será ainda mais cruel, com certeza.

Mas não adianta. Estou com ressaca psicológica.

Ainda que eu saiba que no dia seguinte você não acorda com raiva de mim. Me dá um abraço tonto de sono, um beijo gostoso e fala "bom dia, mamãe". Mas em geral você pergunta: "Você ainda está brava comigo hoje? Eu não gosto quando você fica brava..."

Sempre respondo a sua pergunta assim: "Eu também não, filho. Odeio ficar brava com você."

Espero que agora, quando você estiver lendo essa carta, já tenha entendido o quanto me deprimia brigar com meu filhote... ainda que às vezes fosse preciso.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oi Filhão

Oi filhote.


Preciso te contar umas coisas, antes que eu esqueça (ou desista de escrever por aqui, o que é provável). Sempre sonhei em ser mãe, mas quando descobri que estava grávida, me apavorei por exatos 2,5 minutos. Depois, passei a querer que você chegasse logo. E você demorou, o danado! Não queria aparecer na ultrasonografia 4D só para eu ficar curiosa... se eu pedia para você se mexer, ficava paradinho na minha barriga. Muito implicante, isso sim!

Mas eu sonhava à beça contigo. Obviamente não me lembro da sua cara nos sonhos (sou muito ruim de lembrar sonhos), mas você estava sempre sorrindo. Até hoje sua risada é gostosa como no meu sonho.

Antes mesmo de você nascer eu já era descontrolada... comprava um monte de coisas para você. Ok... eu comprava também para mim. Até hoje eu faço isso: rapaz bacana que você é, nunca quer comprar a loja de brinquedos inteira, contenta-se com uma bola ou um livro. Eu, mãe-má-influência, fico insistindo para você levar o video-game bacana (provavelmente quando você ler essa carta não vai ter mais video-game no mundo... ou eles não vão se parecer em nada com os atuais, mas enfim). No final você sempre queria brincar comigo. :-) Tomara que ainda me convide, porque eu adoro inventar brincadeiras. Dizem por aí que eu sou boa nisso, viu? Em inventar moda, quero dizer (pelo menos é o que sua avó sempre diz).

Uma vez, decidi que a rede lá de casa era uma ponte. Eu tinha que atravessá-la. Caí e machuquei o queixo no muro. Não satisfeita, tentei novamente dali a uns 6 meses. Caí de novo... machuquei o queixo no mesmo lugar (até hoje quando você vê a sicatriz me pergunta o que é isso) e nem assim escapei da bronca. De outra vez resolvi que mercúrio (um remédio que não existe mais) devia ter gosto de suco de groselha, já que as cores eram parecidas. Bebi de um vidrinho que achei por ali... nem preciso dizer que sua avó quase morreu, eu tive que ir ao hospital e, obviamente, levei uma bronca.

Por falar nisso (broncas), tenho que te contar sobre dois assuntos, como prevenção. Primeiro, sobre meus pais. Antes de te conhecerem eles já te adoravam, sabe? Sempre tiveram jeito para avós, aqueles dois... e treinaram bastante com os sobrinhos. Trate bem eles, ok? Porque acho que eles morreriam ao primeiro sinal de malcriação sua. Ah! E você anda implicando com os seus outros avós - pais do seu pai. Não faça isso, porque eles são outros que vão ser, pelo resto da vida, apaixonados por você.

O outro assunto é menos mimoso. Pode se preparar, filhote: assim como levei muita bronca, você vai levar também! Se merecer, evidente. E às vezes porque a mamãe é meio descontrolada. Eu achava que não ia, porque o seu pai era muito calminho quando pequeno - obediente e bonzinho. Infelizmente para você (sob o ponto de vista do número de broncas que você vai tomar na vida), você resolveu puxar à sua mãe: agitada, teimosa e abusada. Olhando hoje para minha carinha ninguém diria, né? Eheheh

Aliás, é bom dar umas explicações sobre esse sujeito, o seu pai, agora – porque ele mesmo não vai fazer isso. É meio quietão, mais fechado, o seu pai. Desde que o conheci, ele parecia um mar de tranquilidade, sabe? Sempre tranqüilo, amável, simpático. E ele é assim mesmo! Nada o abala! Só a menção do seu nome, talvez... Por isso, se esforce para não abalá-lo, viu? Eu acho que eu já dou muito trabalho. Dois ele não aguenta.

Fico pensando: quando você chegou aqui, tudo ficou uma baderna. Não que a nossa casa fosse arrumadinha antes, mas porque sempre queremos fazer todos os seus gostos e te deixar confortável, e brincar de coisas legais e diferentes, e aí virou bagunça. Posso dizer uma coisa? Sei que às vezes eu até peço para você ver tv enquanto eu arrumo alguma coisa ou faço o jantar, mas prefiro quando você me ajuda, ou quando a gente joga bola ou brinca de pique.

Não fiquei brava quando você decidiu desenhar e carimbar as paredes. De vez em quando eu preciso te pegar no colo e explicar algumas coisas. Você sempre aprende. E às vezes me pede: "Explica de novo porque eu não entendi?". Acho o máximo, mas no geral gosto que você explore tudo por sua conta, quando quiser, do jeito que preferir. Umas horas te puxo pra dançar, cantar ou ler comigo. Não repara, eu me apego bem rápido às pessoas legais. Mesmo elas sendo pequenas. E me apeguei rapidinho à você.

Ah! Estamos há uma semana tentando fazer o diabo do feijão germinar numa plantinha (imagino que a essa altura você já tenha feito essa experiência na escola e ela tenha dado certo). Até agora está sendo um fracasso total.

Você tem muitos tios e tias (de verdade ou de consideração) malucos, que passam a semana maquinando um monte de artes em conjunto com você. Garantem que vão te “estragar” com doces e truques sujos. E te levar para noitadas quando você crescer. Coitados, não sabiam o baile que você já ia dar neles antes dos 4 anos! Há!

Eu ficava com medo que você gostasse mais deles do que de mim... Eu tento ser aquela mala responsável por te fazer comer, ter hora de dormir, não assistir tv o dia inteiro... Os outros iam parecer legais e divertidos, e eu seria a bruxa? Ah, não queria! Que bom que desde o primeiro momento você soube olhar pra mim e ver o quanto te amo.

Porque eu amo muito, viu? Esquece aquela besteira que disse no começo da cartinha, sobre eu ter tido 2,5 minutos de pânico quando soube da sua vinda... Levou míseros minutos pra eu perceber como a sua presença ia ser deliciosa e como a gente ia se divertir junto.

Não vai ser fácil sempre, um mar de rosas eterno, eu sei.

Quando você completar 11 anos e entrar naquela idade pentelha, por exemplo, talvez me odeie. Ontem mesmo reclamou que a comida estava velha e por isso não queria comer o jantar (folgado). Mas promete que vai passar? A fase da vergonha dos pais, e a fase dos pais que "enchem o saco"?

Porque você já deve saber desde agora que eu só quero o seu bem. Até parei de tomar café, porque explicaram que isso te faria mal! Pior que eu adoro café... Só que adoro muito mais você, viu, filhotinho?

Novembro chegou e passou rápido. Outros novembros passaram e quando eu vi você já não é mais o meu bebê. É um rapaz crescido e com vontade própria, embora ainda peça colo quando cai e machuca o joelho. Mas o próximo novembro já está aí, e daqui a pouco nem colo a mamãe vai mais poder dar.

Espero que você ainda apronte muito na vida, filhão. E a encare de peito aberto.

Um beijo! Te amo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Como educar meninos

Sabe...

Para alguém que vem de uma família dominada por mulheres, ter um filho homem é muito difícil. Sei que é difícil ter uma mãe maluquinha também, mas a gente se ajusta, né pequeno?

Então, de repente a gente se pega sabendo o nome dos aliens do Ben 10 e dos personagens do Bakugan, brincando de lutar de espadas e jogar futebol.

Eu sei, soa clichê... mas que é diferente isso é.

E aí eu ganho o melhor abraço do mundo e percebo que as diferenças é que fazem a vida valer a pena.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pelo menos uma fotinha para ilustrar...

PS: Você estava fazendo pose de carioca marrento na Disney.

Nunca é tarde para voltar à infância

Filhote,

No início desse mês fomos à Disney. Você estava pedindo esta viagem há algum tempo... e nós estávamos em dúvida se era uma boa ou não. Pesava contra o seu pedido o fato de que achávamos você muito novinho... acreditávamos que você não ia aproveitar direito (no que estávamos enganados) e que nem ia lembrar-se da viagem (nisso estávamos certos, provavelmente).

Decidi que íamos só eu e você. Seus avós se animaram, e a Suki resolveu aproveitar também. No apagar das luzes, seu pai finalmente cedeu e comprou a passagem para passar uns dias conosco (dos 10 dias de viagem, seu pai esteve em 4).

A viagem foi melhor do que esperávamos. Divertimo-nos muito, todos nós.

E aí eu aprendi uma coisa que já tinha esquecido: que nunca é tarde para se divertir, e ninguém é velho demais para gostar de brincar.

As fotos dessa viagem você já deve ter visto e revisto. Mas eu queria agradecer muito a você por ter insistido no desejo. Você me ensina coisas novas todos os dias... essa foi mais uma delas.

Bjs,
Mamãe.


quarta-feira, 24 de março de 2010

Sem tempo

Filhote,

Ando sem tempo de mandar notícias, mas estou preparando uma super carta sobre nossa viagem à Disney (que foi semana passada), a sua primeira (de muitas, eu espero). Divertimo-nos bastante. Tenho que escrever para que não esqueçamos, nem eu nem você, de que brincar é bom em qualquer época da vida.

No mais, te amo (você me diz isso quase todo dia... será que ainda vai fazê-lo no futuro?).


segunda-feira, 1 de março de 2010

Aos Nossos Filhos (Elis Regina)

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...

E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

Digam o gosto pra mim...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Brigas


Ontem a gente brigou. Você não quis almoçar, e queria comer bala antes do jantar.

Filhote, dá para facilitar?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Como antigamente...


Hoje chegaram as nossas fotos vestidos de "início do século" (vintage, parece). Não... essa aí não é uma delas.

Mas as fotos me fizeram refletir: será que eu e seu pai cuidamos de você como fomos criados? Atualizamos a "receita de educar" ou não?

Eu gostei muito da forma como seus avós me educaram. Confesso que fui uma criança bem mimada, mas no final deu certo e, o que é importante: eu só tenho memórias felizes. Fui uma criança feliz. Isso é bom, né?

Acho que sim, mas muitas vezes a gente acha que te mima demais. Até que ponto se deve conversar, e até que ponto deve-se impor as coisas, sem dar muito papo? Até que ponto comprar uma coisa baratinha que você quer e até que ponto negar (ainda que se tenha dinheiro), só pelo princípio de "não estragar a criança dando brinquedo toda hora"?

Outro dia você queria encher a cara de chocolate antes da janta (tá certo... era Lindt e muito bom, mas mesmo assim). E fez A MAIOR manha do mundo. Depois veio conversar comigo para dizer que não tinha gostado de eu não deixar você comer chocolate. Morri de rir (claro que depois que você dormiu).

O ponto é que fiquei feliz que desde pequeno você tenha essa confiança de saber que ainda que discordemos você pode vir falar comigo, explicar seu ponto de vista e tentar conversar. Acho isso muito legal, e acho que faz de nós dois (você e eu), pessoas melhores.

E aí? Deu certo? Vai dar certo? Daqui a 20 anos você vai saber conversar para resolver problemas e debater opiniões? Espero que sim... porque de gente que só sabe gritar o mundo está cheio.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre como os filhos são iguais aos pais

Filhote,

Acho que você, apesar de parecido com o seu pai, tem bem o meu temperamento. Ainda estou na dúvida sobre se isso é bom ou não.

Não me entenda mau... eu gosto de mim. Mas conheço meus defeitos, e as dificuldades que eles ensejam.

Às vezes tenho que prestar atenção no que falo perto de você... meu filhote esperto assimila e utiliza tudo: entonações, expressões, argumentos. Seria engraçado, se não fosse tão desarmante às vezes.

Como no dia em que você veio nos comunicar que não ia voltar para os EUA conosco. Precisávamos voltar, eu e seu pai, mas você havia decidido ficar pelo Brasil mesmo. E o comunicado não veio acompanhado de manha ou choro, mas de argumentos coerentes, que tinham resposta para toda pergunta colocada:

- Mas filho, vamos ficar com saudades.
- Você fala comigo pelo computador, mamãe.

- Filhote, e se você ficar com saudades?
- A vovó me explica que vocês estão estudando nos EUA mas daqui a pouco voltam para o Brasil.

- E se você chorar à noite?
- O vovô e a vovó me dão a mão... Mamãe, a gente pode dormir na cama de vocês? É que assim eu não fico com saudades...

Sua tia Joana foi testemunha. Teve que ser, senão ninguém acreditava.

No final das contas você veio conosco. Acho que mais porque somos egoístas demais e sentiríamos muita saudade, já que meu filhote tão independente tiraria a distância de letra.

Bjs.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Não tem cara de Lucas?

Tudo começou

Há um tempo atrás, na ilha do sol...

Ok, não foi assim. Esse é o início de uma música que você provavelmente não conhece.

Quando descobrimos, eu e seu pai, que estávamos grávidos, levamos um susto. Eu fiquei apavorada. Feliz, claro, mas apavorada. A responsabilidade de ser mãe e o medo de não ser uma boa mãe me dominaram por um dia inteiro. Só depois é que me convenci que bastava uma coisa: amor.

É... amor não basta. Tem que saber ouvir também. E pular. E desenhar. E colar. E contar histórias. E ver desenhos. E conversar. E educar... Mas amor com certeza é o mais importante.

Então lá estava eu, grávida. Adorava ir ao médico só para ver você no ultrasom. Claro que não dava para ver nada direito, mas eu gostava mesmo assim.

Quase morri do coração a primeira vez que você se mexeu na minha barriga. Mas você não se mexia muito não... era um bebê muito educado. Só não gostava de tirar fotos, já que sempre escondia a cara quando íamos ao médico para tentar dar "uma espiadinha" no nosso bebê lindo.

Você sabia que demoramos para decidir os nomes? Eu queria um nome bíblico, mas tinha que ser um que tanto eu quanto seu pai gostássemos. No final ficamos entre Lucas e Gabriel... e demorou tanto a decidirmos que muita gente te chamava de "Lucas Gabriel", como se fosse um nome composto. Só decidimos mesmo quando você nasceu... achamos que tinha cara de Lucas (o que foi bom, pois eu tinha lido um livro sobre a vida de São Lucas que achei lindo, e secretamente preferia esse nome).

Será que você teria preferido chamar-se Gabriel?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Carta Inicial

Filhote,

Essa não é bem uma carta, é mais uma notinha inicial, para começar a nossa conversa.

Li que muitas mães escrevem para seus filhos desde que eles estavam na barriga delas, e depois, quando eles crescem, elas mostram para eles as cartas. Achei a idéia super legal, mas quando resolvi implementá-la três anos já tinham se passado.

Mas a essa altura do campeonato você já conhece sua mãe...

Não sei se você um dia vai ler isso. Não sei se um dia eu vou querer que você leia. Mas nesse espaço vou deixar algumas cartas para você. E para mim. Sobre nós dois. E sobre os outros.

Beijos e até breve.