quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre como os filhos são iguais aos pais

Filhote,

Acho que você, apesar de parecido com o seu pai, tem bem o meu temperamento. Ainda estou na dúvida sobre se isso é bom ou não.

Não me entenda mau... eu gosto de mim. Mas conheço meus defeitos, e as dificuldades que eles ensejam.

Às vezes tenho que prestar atenção no que falo perto de você... meu filhote esperto assimila e utiliza tudo: entonações, expressões, argumentos. Seria engraçado, se não fosse tão desarmante às vezes.

Como no dia em que você veio nos comunicar que não ia voltar para os EUA conosco. Precisávamos voltar, eu e seu pai, mas você havia decidido ficar pelo Brasil mesmo. E o comunicado não veio acompanhado de manha ou choro, mas de argumentos coerentes, que tinham resposta para toda pergunta colocada:

- Mas filho, vamos ficar com saudades.
- Você fala comigo pelo computador, mamãe.

- Filhote, e se você ficar com saudades?
- A vovó me explica que vocês estão estudando nos EUA mas daqui a pouco voltam para o Brasil.

- E se você chorar à noite?
- O vovô e a vovó me dão a mão... Mamãe, a gente pode dormir na cama de vocês? É que assim eu não fico com saudades...

Sua tia Joana foi testemunha. Teve que ser, senão ninguém acreditava.

No final das contas você veio conosco. Acho que mais porque somos egoístas demais e sentiríamos muita saudade, já que meu filhote tão independente tiraria a distância de letra.

Bjs.

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