quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Brigas


Ontem a gente brigou. Você não quis almoçar, e queria comer bala antes do jantar.

Filhote, dá para facilitar?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Como antigamente...


Hoje chegaram as nossas fotos vestidos de "início do século" (vintage, parece). Não... essa aí não é uma delas.

Mas as fotos me fizeram refletir: será que eu e seu pai cuidamos de você como fomos criados? Atualizamos a "receita de educar" ou não?

Eu gostei muito da forma como seus avós me educaram. Confesso que fui uma criança bem mimada, mas no final deu certo e, o que é importante: eu só tenho memórias felizes. Fui uma criança feliz. Isso é bom, né?

Acho que sim, mas muitas vezes a gente acha que te mima demais. Até que ponto se deve conversar, e até que ponto deve-se impor as coisas, sem dar muito papo? Até que ponto comprar uma coisa baratinha que você quer e até que ponto negar (ainda que se tenha dinheiro), só pelo princípio de "não estragar a criança dando brinquedo toda hora"?

Outro dia você queria encher a cara de chocolate antes da janta (tá certo... era Lindt e muito bom, mas mesmo assim). E fez A MAIOR manha do mundo. Depois veio conversar comigo para dizer que não tinha gostado de eu não deixar você comer chocolate. Morri de rir (claro que depois que você dormiu).

O ponto é que fiquei feliz que desde pequeno você tenha essa confiança de saber que ainda que discordemos você pode vir falar comigo, explicar seu ponto de vista e tentar conversar. Acho isso muito legal, e acho que faz de nós dois (você e eu), pessoas melhores.

E aí? Deu certo? Vai dar certo? Daqui a 20 anos você vai saber conversar para resolver problemas e debater opiniões? Espero que sim... porque de gente que só sabe gritar o mundo está cheio.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre como os filhos são iguais aos pais

Filhote,

Acho que você, apesar de parecido com o seu pai, tem bem o meu temperamento. Ainda estou na dúvida sobre se isso é bom ou não.

Não me entenda mau... eu gosto de mim. Mas conheço meus defeitos, e as dificuldades que eles ensejam.

Às vezes tenho que prestar atenção no que falo perto de você... meu filhote esperto assimila e utiliza tudo: entonações, expressões, argumentos. Seria engraçado, se não fosse tão desarmante às vezes.

Como no dia em que você veio nos comunicar que não ia voltar para os EUA conosco. Precisávamos voltar, eu e seu pai, mas você havia decidido ficar pelo Brasil mesmo. E o comunicado não veio acompanhado de manha ou choro, mas de argumentos coerentes, que tinham resposta para toda pergunta colocada:

- Mas filho, vamos ficar com saudades.
- Você fala comigo pelo computador, mamãe.

- Filhote, e se você ficar com saudades?
- A vovó me explica que vocês estão estudando nos EUA mas daqui a pouco voltam para o Brasil.

- E se você chorar à noite?
- O vovô e a vovó me dão a mão... Mamãe, a gente pode dormir na cama de vocês? É que assim eu não fico com saudades...

Sua tia Joana foi testemunha. Teve que ser, senão ninguém acreditava.

No final das contas você veio conosco. Acho que mais porque somos egoístas demais e sentiríamos muita saudade, já que meu filhote tão independente tiraria a distância de letra.

Bjs.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Não tem cara de Lucas?

Tudo começou

Há um tempo atrás, na ilha do sol...

Ok, não foi assim. Esse é o início de uma música que você provavelmente não conhece.

Quando descobrimos, eu e seu pai, que estávamos grávidos, levamos um susto. Eu fiquei apavorada. Feliz, claro, mas apavorada. A responsabilidade de ser mãe e o medo de não ser uma boa mãe me dominaram por um dia inteiro. Só depois é que me convenci que bastava uma coisa: amor.

É... amor não basta. Tem que saber ouvir também. E pular. E desenhar. E colar. E contar histórias. E ver desenhos. E conversar. E educar... Mas amor com certeza é o mais importante.

Então lá estava eu, grávida. Adorava ir ao médico só para ver você no ultrasom. Claro que não dava para ver nada direito, mas eu gostava mesmo assim.

Quase morri do coração a primeira vez que você se mexeu na minha barriga. Mas você não se mexia muito não... era um bebê muito educado. Só não gostava de tirar fotos, já que sempre escondia a cara quando íamos ao médico para tentar dar "uma espiadinha" no nosso bebê lindo.

Você sabia que demoramos para decidir os nomes? Eu queria um nome bíblico, mas tinha que ser um que tanto eu quanto seu pai gostássemos. No final ficamos entre Lucas e Gabriel... e demorou tanto a decidirmos que muita gente te chamava de "Lucas Gabriel", como se fosse um nome composto. Só decidimos mesmo quando você nasceu... achamos que tinha cara de Lucas (o que foi bom, pois eu tinha lido um livro sobre a vida de São Lucas que achei lindo, e secretamente preferia esse nome).

Será que você teria preferido chamar-se Gabriel?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Carta Inicial

Filhote,

Essa não é bem uma carta, é mais uma notinha inicial, para começar a nossa conversa.

Li que muitas mães escrevem para seus filhos desde que eles estavam na barriga delas, e depois, quando eles crescem, elas mostram para eles as cartas. Achei a idéia super legal, mas quando resolvi implementá-la três anos já tinham se passado.

Mas a essa altura do campeonato você já conhece sua mãe...

Não sei se você um dia vai ler isso. Não sei se um dia eu vou querer que você leia. Mas nesse espaço vou deixar algumas cartas para você. E para mim. Sobre nós dois. E sobre os outros.

Beijos e até breve.